Todas as notícias

PAIXÃO E EMPENHO TRAÇAM AS LINHAS MESTRAS DA NOVA DIREÇÃO

May 26, 2026

Artigo de Opinião

A Feira Nacional da Agricultura (FNA) – Feira do Ribatejo, o grande evento anual do mundo agrícola e florestal do nosso país, que decorre de 6 a 14 de junho, dedica este ano uma especial atenção a um dos sectores que mais tem evoluído em Portugal, o dos pequenos frutos.

Resultado de uma grande modernização, de importantes avanços tecnológicos, de investimentos estratégicos e de uma gestão virada para a competitividade, o sector tem sabido corresponder à crescente apetência por alimentações saudáveis e tem vindo a impor a sua  qualidade em exigentes mercados externos. A evolução das exportações é notável  e o sector das Frutas e Hortícolas assume-se hoje como um contribuinte fundamental para o desejado equilíbrio da nossa balança comercial.

É muito importante para todo o país  que o sector possa continuar a crescer e a conquistar novos mercados, para isso  não basta o profissionalismo já demonstrado, é necessário que os responsáveis  políticos tirem as necessárias consequências da existência de condições  edafoclimáticas verdadeiramente únicas em  algumas regiões do nosso país e assumam a ambição de tornar Portugal  numa referência ímpar nestas produções, alargando  perímetros de rega sustentáveis e facilitando  as condições de alojamento digno para a respetiva mão de obra. Esta aliança  entre privado e público, que implica necessariamente os municípios, tem um  enorme potencial de desenvolvimento e de coesão territorial. Assim haja ambição!

Tomaram posse nesta semana os novos  corpos sociais da CAP. Com a vontade e dedicação de sempre, com a certeza, para usar as palavras do nosso Eduardo Oliveira e Sousa, de que “nunca está tudo  feito, nunca está tudo concluído”, conscientes das nossas limitações, mas absolutamente  certos de que a nossa paixão e empenho são superiores a qualquer obstáculo ou desafio. E obstáculos e desafios não faltam! Permito-me elencar algumas linhas  mestras que ocuparão a nova Direção da Confederação:

Em primeiro lugar, na linha do que a  Confederação tem assumido há já um par de anos, a questão da água será o tópico  central. Temos agora a “Estratégia água que une” e será por ela que nos  bateremos. Seremos exigentes, ambiciosos quanto a prazos e metas, não nos  bastarão anúncios. A exemplo do que fizemos já este ano, organizaremos todos os  dias 9 de março, aniversário da apresentação da Estratégia, um amplo debate  para confrontar os responsáveis, para indagar do andamento, para exigir  celeridade na execução, para questionar opções, para promover o alargamento do  seu âmbito sempre que conveniente. Sobretudo para exigir que o País aproveite  as condições de que dispõe para o seu desenvolvimento, numa Estratégia que não  é uma mera estratégia regional, que é nacional porque é abrangente, mas que  para manter o apoio de toda a população tem de ser vista a ser implementada com  celeridade e num equilíbrio territorial inteligente.
Uma outra linha mestra de atuação desta  Direção será a avaliação constante da implementação do plano de intervenção para a floresta “Floresta 2050, Futuro +Verde” com vista a assegurar uma  floresta resiliente, gerida ativamente, sustentável económica, ambiental e  socialmente. Qualquer política para a floresta tem de garantir a  sustentabilidade económica das explorações e contribuir para evitar o abandono  do território e isto também abrange a política de gestão de fogos.

Uma terceira linha de atuação da  Confederação será o acompanhamento permanente e uma intervenção cada vez mais ativa nas discussões em Bruxelas sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034,  sobre a futura Política Agrícola Comum e sobre as outras políticas da UE com  impacto direto nos agricultores e produtores florestais, sobretudo a política  comercial, a política ambiental e a política de alargamento.

Não hesitaremos em levantar a nossa  voz na defesa dos agricultores e produtores florestais portugueses, de  preferência em uníssono com os nossos colegas europeus, mas se necessário com  posições próprias que correspondam à especificidade da nossa agricultura e da  nossa floresta, como o fizemos já a propósito do Acordo do Mercosul. 

As dificuldades que atravessamos  todos em resultado de problemas geopolíticos aparentemente longínquos, mas que  se refletem duramente no nosso dia a dia, seja a nível de combustíveis, seja de  fertilizantes, seja de subida generalizada de custos por imposições  regulamentares da própria UE, mostram que cada vez mais o combate pela defesa  da nossa agricultura e do nosso mundo rural se trava também a milhares de  quilómetros dos nossos campos.

Mas não é apenas no exterior que este combate político é  decisivo. Também em Portugal a Confederação continuará a exigir medidas  concretas de apoio aos agricultores e produtores florestais, medidas que nem  precisam de ser originais pois temos mesmo do outro lado da fronteira medidas  em vigor que correspondem às necessidades do momento, mas que não sendo  replicadas em Portugal nos colocam em desvantagens competitivas inaceitáveis.

E se nos preocupa a ausência de medidas significativas para  os combustíveis e fertilizantes não esquecemos que o Governo até agora ainda  não respondeu às catástrofes que assolaram o país a partir de 28 de janeiro.  Tem que ficar claro para todos os agricultores e produtores florestais  portugueses: este Governo até agora, com exceção dos corretos apoios para  prejuízos até dez mil euros, limitou-se a responder à maior catástrofe das  últimas décadas com um limitado alargamento de medidas rotineiramente previstas  no quadro do PEPAC e com anúncios de abertura de linhas de crédito.  Nenhum apoio excecional a fundo perdido. Continuaremos  durante o novo mandato a travar uma luta constante para conseguir apoios quando eles forem necessários e para evitar uma permanente erosão de um mercado  europeu que coloque os agricultores portugueses em permanente desvantagem face  aos seus concorrentes. E isto também passa pela revisão do modo de  funcionamento do Ministério da Agricultura e Pescas, é tempo de se pôr a máquina em funcionamento. Exigimos ser prévia e atempadamente consultados sobre as medidas que impactam o sector, manteremos uma pressão constante para que tal seja feito e não deixaremos de denunciar publicamente de cada vez que tal não aconteça.

Dois pontos deixei intencionalmente para o final. Em primeiro  lugar, o sector do vinho atravessa hoje sérios desafios a nível mundial.  Procuraremos dedicar-lhe uma particular atenção, com análise atenta das causas,  com apresentação de propostas concretas e com combate a soluções populistas  potenciadoras de danos estruturais. Por fim, a nova Direção continuará e  reforçará uma linha de proximidade com as suas associadas, auscultando-as,  procurando perceber as suas dificuldades, estando presente através dos seus  diretores no terreno nos momentos mais significativos.

ÁLVARO MENDONÇA E MOURA
Presidente da CAP

Eleições para os titulares dos Órgãos Sociais da CAP

Mandato 2026-2029

Saber Mais
Escolha o tipo de Membro Aderente CAP(Required)
Candidatura PAIXÃO E EMPENHO TRAÇAM AS LINHAS MESTRAS DA NOVA DIREÇÃO
DD slash MM slash YYYY
Max. file size: 2 MB.
This field is hidden when viewing the form