A Federação Agrícola dos Açores avançou em comunicado que será também assegurado aos agricultores dos Açores o apoio de 10 cêntimos por litro ao gasóleo agrícola até ao final de 2026, anunciado pelo XXV Governo.
A informação foi avançada pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), após reunião com o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, na sede da Associação Agrícola de São Miguel.
“Na conversa que tivemos, essa situação também está assegurada para os agricultores dos Açores. Temos a ajuda aos combustíveis até dezembro, que pode equivaler a um milhão e meio de euros. É pouco, mas o princípio, para nós, é importante”, afirmou Jorge Rita, presidente da FAA, apesar de considerar que 10 cêntimos por litro são insuficientes perante a evolução dos preços. “Daqui a um mês, se houver mais uma subida, os 10 cêntimos já não dão só para as subidas”, disse, acrescentado que “se seguirmos a linha de Espanha, o apoio tinha de ser três ou quatro vezes superior”.
A reunião com o secretário regional da Agricultura e Alimentação permitiu discutir o pagamento dos 3 milhões de euros de apoio da República. “Em relação às verbas da República, aos 3 milhões de euros que estão assegurados, os pagamentos aos agricultores dos Açores vão começar em breve”, adiantou.
Jorge Rita recordou, contudo, que permanece por resolver a questão dos 23 milhões de euros reivindicados para os Açores, no âmbito dos apoios extraordinários relacionados com a guerra na Ucrânia, previstos no artigo 143.º do Orçamento do Estado para 2026.
“A discriminação dos 23 milhões ainda existe”, afirmou Jorge Rita, garantindo que a reivindicação continua em cima da mesa, e com um atraso de quatro anos.
O encontro com António Ventura também permitiu abordar pagamentos o de apoios da responsabilidade do Governo Regional que ainda não foram processados, designadamente o Agroacrescenta, o complemento aos jovens agricultores, bem como algumas situações pendentes do SAFIAGRI e das sementes de milho e sorgo de 2024 que se encontram por regularizar, sendo que estes pagamentos deverão ocorrer até ao final do mês.
O presidente da Federação referiu ainda que a reconversão de leite para carne poderá voltar a ser aberta, caso as candidaturas atuais não preencham os 3 mil direitos disponíveis, tendo avançado que foi solicitada autorização à União Europeia para ultrapassar esse número no próximo ano. “Eu sempre disse que quem saísse do leite dificilmente voltava para o leite”, afirmou Jorge Rita.
“Produzir leite nesta terra é uma autêntica escravatura com a falta de mão de obra existente, a insegurança, a desconfiança que temos no dia a dia e com a brutalidade dos custos de produção que temos no setor agrícola”.
Jorge Rita considera que a sustentabilidade do setor passa também por criar melhores condições para a entrada e permanência dos jovens na agricultura, apontando que a questão da Segurança Social e dos impostos “é algo em que se tem de continuar a trabalhar nos próximos tempos”.
Fonte: Federação Agrícola dos Açores

