Na última edição da Ovibeja, no final de abril de 2026, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou o levantamento das restrições para o licenciamento de furos de captação de água, tendo em consideração a situação hídrica favorável do país. Esta decisão constituiu uma ótima notícia para o sector agrícola nacional que há muito aguardava este desbloqueio.
Contudo, a medida a ser aplicada apenas às regiões do Algarve e do Alentejo cria desigualdades no país que não se compreendem. Recordamos que há mais de 10 anos, que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) promete uma reavaliação dos níveis freáticos no Ribatejo, sendo que nenhuma medida concreta é implementada.
Perante a recente decisão, considera-se incompreensível que haja um levantamento de restrições em regiões que há menos de um ano se encontravam em situação de seca extrema e, para os furos que se encontram localizados na margem esquerda do rio Tejo, tudo se mantenha igual.
Os agricultores ribatejanos já não consideram tolerável a justificação até aqui dada, nomeadamente o facto de alguns piezómetros não assinalarem a recuperação das águas subterrâneas.
Estas restrições, recordamos, penalizam muito seriamente uma das regiões mais produtivas do país do ponto de vista agrícola e que contribui de sobre maneira para o Valor Agrícola Bruto Nacional.
A AGROTEJO apela que as restrições que agora existem, não só para a legalização de alguns furos existentes, mas também para novas captações, sejam levantadas de imediato.
Esta limitação está a inviabilizar a aposta em novos investimentos de regadio que, reconhecidamente, tanta falta fazem ao desenvolvimento socioeconómico do interior do nosso país como, aliás, tem sido defendido pelo atual Governo.
Fonte: AGROTEJO

