A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária publicou uma Nota Informativa (n.º 3/2026) relativa à atualização da situação epidemiológica do vírus Shamonda (SHAV), na sequência da comunicação, pelas autoridades francesas, da primeira infeção humana documentada por este vírus. O caso foi identificado num doente com imunodepressão grave, acompanhado nos Hospitais Civis de Lyon, que faleceu no início de outubro. As complicações cerebrais observadas antes do falecimento estarão, muito provavelmente, relacionadas com a infeção. A principal hipótese considerada pelas autoridades francesas é a transmissão através da picada de um inseto vetor do género Culicoides, apesar de as investigações clínicas, laboratoriais e epidemiológicas continuem em curso. Este vírus era anteriormente considerado não transmissível ao ser humano e apesar desta situação as autoridades francesas não identificaram, até à data, risco sanitário para a população em geral.
Em Portugal foram comunicados à DGAV resultados laboratoriais positivos por PCR para pesquisa do vírus Shamonda em bovinos de explorações localizadas nos concelhos de Odemira, Loures, Crato e Montijo. Foram igualmente identificados resultados serológicos positivos em bovinos nos concelhos de Vimioso e Évora. Contudo, estes últimos resultados devem ser interpretados com prudência, devido à possibilidade de reações cruzadas com outros vírus próximos, não permitindo, por si só, confirmar uma infeção específica pelo vírus Shamonda. A DGAV mantém o acompanhamento epidemiológico e laboratorial das situações identificadas, não sendo ainda possível determinar com rigor a extensão da circulação do vírus em território nacional.
Esta nova informação reforça a importância de uma abordagem integrada «Uma Só Saúde», baseada na articulação entre as autoridades responsáveis pela saúde animal, saúde humana e ambiente.
A DGAV encontra-se em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS), enquanto as autoridades francesas notificaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
A DGAV mantém as recomendações aos médicos veterinários e produtores, salientando:
- Reforçar a vigilância clínica dos efetivos, sobretudo bovinos;
- Comunicar aos serviços veterinários qualquer suspeita clínica compatível com infeção pelo vírus Shamonda;
- Adotar, sempre que aplicável, medidas destinadas a reduzir a exposição dos animais aos insetos vetores do género Culicoides;
- Acompanhar com particular atenção os animais gestantes, tendo em consideração a possibilidade de transmissão vertical associada a vírus próximos;
- Assegurar a adequada colheita e envio de amostras para investigação laboratorial nos casos suspeitos.
Principais sinais de infeção nas explorações bovinas são:
- As infeções agudas podem manifestar-se através de febre, diarreia e diminuição da produção leiteira, entre 10% e 20%, durante um período de 7 a 10 dias.
- A morbilidade pode ser elevada, atingindo potencialmente a totalidade dos animais de uma exploração.
- A maioria dos animais adultos recupera da infeção.
- Em fêmeas gestantes, o vírus pode atravessar a placenta e infetar o feto, podendo provocar abortos ou malformações congénitas graves
A CAP continuará a acompanhar a evolução da situação epidemiológica, em articulação com as entidades competentes, nomeadamente a DGAV, recomendando aos seus associados que se mantenham atentos à sintomatologia nos efetivos e que assegurem a comunicação atempada de eventuais suspeitas às autoridades veterinárias competentes.
Fonte: CAP

